Como conseguir o cálcio necessário pela dieta

Por Luiza Gouveia


      O cálcio é o mineral mais abundante no corpo humano, representando de 1 a 2% do peso corporal de cada indivíduo. Em sua grande parte está distribuído na estrutura dos dentes e ossos, e também no sangue, músculos e outros tecidos.
      Os alimentos que mais contêm cálcio são a sardinha, os leites e seus derivados, como iogurtes e queijos com baixo conteúdo de gordura.
      Mas se você segue uma dieta vegetariana ou não ingere leite por algum tipo de alergia ou intolerância, pode usar outros alimentos vegetais que também contêm cálcio. Dentre esses alimentos estão a semente de gergelim, folhas verde escuras como couve e espinafre, brócolis  e a castanha-do-Brasil.
      A grande diferença entre o cálcio proveniente dos produtos de origem animal e dos produtos de origem vegetal é a biodisponibilidade, que pode ser definida como a quantidade ingerida de nutriente que será digerida, absorvida, metabolizada e desempenhará sua função no nosso organismo.
      Devido ao maior teor de fibras e outros nutrientes presentes nos alimentos de origem vegetal, o aproveitamento ou a biodisponibilidade do cálcio pode ser menor. O que vai determinar se você supre sua necessidade de cálcio é a quantidade, a diversidade e as formas de preparo dos alimentos fontes de cálcio que inclui diariamente na sua dieta.
      A deficiência de cálcio é um problema importante, visto que mesmo pessoas que ingerem leites e derivados, muitas vezes não o fazem em uma quantidade que supra a necessidade de cálcio. Isso fica claro observando as altas prevalências de doenças ósseas verificadas principalmente em mulheres após a menopausa, devido características hormonais próprias do sexo feminino. Portanto, se você é mulher atenção redobrada! 
      Devo ressaltar que além disso, outros fatores são muito importantes para  manutenção da estrutura óssea, como a manutenção de niveis adequados de vitamina D e a prática de atividade física. Vá ao nutricionista e ao médico com regularidade, pois só esses profissionais em conjunto podem avaliar se sua ingestão diária de cálcio consegue suprir as demandas do seu organismo, mantendo sua saúde óssea.

Padrão alimentar associado ao desenvolvimento de Diabetes Mellitus tipo II

Por Luiza Gouveia

Não é raro lermos ou escutarmos falar sobre alimentos milagrosos! Um alimento que emagrece por si só, o outro que diminui o colesterol sanguíneo, e ainda aquele que controla a glicemia (açúcar no sangue).
Existem sim estudos que já mostraram algum benefício analisando um alimento isolado, porém, cada vez mais é comprovado por estudos científicos que o que faz a diferença no emagrecimento, na prevenção ou no tratamento de doenças, é o padrão alimentar, ou seja, a combinação de alimentos ingerida no dia a dia, afinal ninguém ingere só um tipo de alimento.
Os resultados de um estudo publicado recentemente, realizado com a população adulta de sete países da Europa, mostrou a associação entre padrão dietético e o desenvolvimento de Diabetes Mellitus tipo II. Leia o artigo na íntegra http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3890037/.
O Diabetes Mellitus tipo II é o tipo de diabetes que geralmente se desenvolve na vida adulta, embora cada vez mais venha sendo diagnosticado em crianças e jovens, por estar relacionado ao estilo de vida, como estresse, inatividade física e alimentação inadequada.
E adivinhem qual foi o padrão dietético que se associou com a prevenção do Diabetes Mellitus tipo II nessa população! Alta ingestão de frutas e vegetais, baixa ingestão de carnes processadas, bebidas açucaradas (como refrigerantes e sucos industrializados) e cereais refinados (como arroz branco e farinhas brancas).
Alguma novidade? Não! Então pare de esperar o alimento milagroso e mexa-se!
Procure um nutricionista e comece a seguir um padrão alimentar que proteja a sua saúde!

No carnaval, Previna-se! Use preservativo.


O Carnaval está aí e com ele a alegria e a responsabilidade também. Para se prevenir contra as DST e aids, use sempre camisinha. Em caso de dúvida, procure uma unidade de saúde do SUS.

No carnaval toda a dieta vai por água abaixo?

Por Luiza Gouveia

       Embora saibamos que o estilo de vida saudável e a prática regular de atividade física devam ser hábitos constantes na vida de todas as pessoas, presentes de segunda a segunda, e de janeiro a janeiro, nem sempre é assim.
Certas datas motivam as pessoas a melhorarem seus hábitos, seguindo mais rigorosamente a alimentação correta e mantendo a prática de atividade física mais intensa, uma delas é o carnaval!
Mas e aí? A folia chega e em 4 dias você vai perder todos os ganhos que obteve com sua dedicação meses antes? Não precisa ser assim, é possível curtir a folia e tomar alguns cuidados para não chutar o balde!
Tente manter ao máximo a estrutura do seu dia alimentar. Se vai acordar mais tarde, talvez não consiga fazer um café da manhã e um lanche da manhã, mas pelo menos tome um café da manhã, que contenham alimentos integrais e frutas. No almoço e no jantar coma saladas variadas, que são alimentos refrescantes e com bom teor de água, para auxiliar na hidratação, além disso, seu prato pode conter algum cereal integral, feijões ou outras leguminosas, e alguma carne magra. Evite passar muito tempo sem se alimentar, e frutas são bons alimentos para os lanches entre as refeições. Vai pular em um bloco no meio da tarde? Coma sua fruta antes de sair de casa!

       E as bebidas alcoólicas? São sempre muito calóricas, ou seja, contribuem para o ganho de peso, sem contar nos efeitos que podem causar. Então a palavra é sempre moderação!
Lembrando que estão fazendo dias muitos quentes, portanto, hidrate-se muito bem, tome muita água ou sucos naturais. Bebidas alcoólicas não hidratam, muito pelo contrário, acentuam a sua desidratação, então mantenha uma ingestão adequada de água, que inclusive pode auxiliar a atenuar o efeito tóxico no organismo causado por essas bebidas.

Divirtam-se muito! O próximo carnaval só no ano que vem!

Aneurisma: Causas, Sintomas e Tratamentos

Por Antonio Zerati
 Aneurisma é uma dilatação que atinge parte de um vaso, geralmente uma artéria. O aneurisma mais comum é o que acomete a aorta, que é uma artéria que se origina no coração e, a partir daí, desce para o abdome, sendo responsável por levar sangue para todo o organismo. O segmento onde o aneurisma é mais frequente é a aorta abdominal, após a emergência das artérias renais.
Os riscos de complicação de um aneurisma dependem de sua localização e tamanho. As principais complicações são a rotura (que pode levar à hemorragia maciça), a embolização (quando fragmentos de placa e coágulos se desprendem, interrompendo a circulação de um outro vaso) e a compressão de estruturas ou órgãos vizinhos.
Em relação ao aneurisma da aorta, a complicação mais comum é a rotura. Por tratar-se de artéria com alto fluxo sanguíneo, seu rompimento implica sangramento volumoso e alto risco de morte.
Causas
A causa mais frequente de aneurisma arterial é a aterosclerose, resultado do depósito de gordura na parede da artéria. Dessa forma, os principais fatores de risco para a formação de aneurismas são os mesmos da aterosclerose: hipertensão arterial, diabetes, elevação do colesterol e tabagismo, além de antecedentes familiares (parentes próximos com diagnóstico de aneurisma).
Outras causas são arterites (inflamações das artérias), infecções (aneurismas micóticos) e doenças do colágeno.

Chegou o Novo Guia Alimentar para a População Brasileira

Por Luiza Gouveia

A nova versão do Guia Alimentar para a População Brasileira já foi publicada no final de 2014. E quais são as novidades?
O Guia foca suas orientações sobre consumo dos alimentos segundo a diferenciação do grau de processamento dos alimentos.
Os alimentos in natura ou chamados de minimamente processados - como aqueles que sofreram processo de refinamento, pasteurização, congelamento, etc., sem adição de gordura, sal ou açúcar – são a base da alimentação e devem ser consumidos em abundância, predominantemente os de origem vegetal, dentre eles cereais, leguminosas, frutas, verduras e legumes.
Óleos, gorduras, sal e açúcar devem ser utilizados com muito cuidado e sem exageros. Esses alimentos são agregados aos alimentos in natura para gerar preparações culinárias, os chamados produtos processados, como compotas, conservas, pães, massas, queijos. Os produtos processados podem ser consumidos em conjunto com alimentos in natura, porém, nunca em excesso.
Os alimentos ultraprocessados, são em geral feitos pelas indústrias, passando por diversas etapas de fabricação. Levam grandes quantidades de ingredientes como gorduras, sal, açúcar e conservantes. Exemplos de produtos ultraprocessados são macarrão instantâneo, salgadinho de pacote, sopas prontas, barras de cereais, bolachas recheadas, dentre outros que contêm uma vasta lista de ingredientes no rótulo com muitos nomes estranhos! Tais alimentos devem ser evitados, pois seu consumo está ligado ao excesso de calorias, ganho de peso corporal, e ainda desenvolvimento de doenças crônicas ligadas a alimentação como diabetes, pressão alta e colesterol alto.
O Guia ainda traz informações sobre como as refeições devem ser feitas, em termos de local, horários e companhia, e dá exemplos de refeições adequadas respeitando diferentes hábitos das várias regiões brasileiras.
O Guia Alimentar é um material público e deve ser consultado por toda a população.

Rede Social: mudança comportamental ou reflexo da própria essência?

Por Liliane Carrilo

Para viver em sociedade é necessário não ser individualista, egoísta e egocentrista. É necessário pensar e agir considerando menos o “eu” e mais o “nós”.
Na relação com o outro construímos o Saber, trocamos informações e experiências, interagimos, sofremos juntos, buscamos soluções baseando-nos nas experiências alheias. Há no ser humano uma curiosidade natural em conhecer e saber sobre Outro, afinal, é com ele que evoluímos. O Outro é para nós referencia do que fazer e do que não fazer.

Antes da Era Digital, as relações pessoais se davam no Encontro. Muito mais do que ouvir o que a pessoa falava era possível compreender os sentimentos, através da entonação de sua voz, de sua respiração, sua postura, sua aparência, etc.
Com as Redes Sociais, vivemos hoje um distanciamento físico e emocional, onde um apanhado de palavras nos dá abertura para interpretar, como quisermos, os sentimentos de quem escreveu. Quem nunca leu um livro e imaginou os personagens: como eram, onde estavam, entonação das vozes? Nosso cérebro é capaz de montar toda uma cena baseando em apenas um detalhe inspirador.

As Redes Sociais nos permite ser seletivos, mostrar apenas o que queremos e ser quem escolhemos ser. Cria-se um novo alguém, que pode reescrever sua história e editá-la a qualquer momento. Por isso, as redes sociais tem sido fonte inesgotável de autorrealizações. Nela podemos manifestar nossa opinião sobre tudo, mas é necessário fazer uso da educação, gentileza e diplomacia.

Temos visto, desde o surgimento das Redes Sociais, um movimento de intolerância (intensificado nessas últimas semanas). Redes Sociais sendo utilizadas para criticar e ofender pessoas que tem opinião diferente daquelas publicadas. Uma guerra declarada... E para ganhá-la é necessário não só que o outro aceite a opinião colocada na Rede, mas concorde com essa opinião e faça e/ou pense aquilo que está sendo afirmado. Qualquer coisa diferente disso, não será aceita, nem respeitada. O ser humano prefere informações que confirmem suas crenças e idéias, independentes de serem verdadeiras ou falsas. E interpretamos todas as informações que recebemos de acordo com nossas vivências subjetivas, permeadas do que estamos sentindo “aqui e agora”.

O fato é: todo comportamento (seja qual for) que foi mostrado ou algo que foi dito no mundo virtual já existia antes, na realidade... apenas tornou-se “permitido” ser mostrado.
Talvez toda essa intolerância seja devido ao fato de estarmos construindo mais grupos do que vínculos.

Talvez a falta de amabilidade e compreensão nas Redes Sociais seja apenas reflexo das relações familiares, que estão tão distantes.
Talvez a solidão tenha afetado tanto o ser humano, que sua busca por reconhecimento, por curtidas e compartilhamentos seja resultado de uma cultura individualista, onde Ter é maior que o Ser.

Talvez a não aceitação de opiniões contrárias seja reflexo da falta de diálogo nas famílias: entre o casal, pais e filhos e entre irmãos.
É muito fácil e cômodo acreditar que o mal do mundo é a Rede Social. Mas nós quem tecemos a Rede Social e construímos relações no mundo virtual.
A evolução da sociedade se dá no Encontro Social, na troca de aprendizagens e informações, quando consideramos menos o “eu” e mais o “nós”, quando no Encontro há respeito.



Saiba o que á a Dispepsia Funcional

Por Dra Maira Marzinotto

   Dispepsia é o termo utilizado para um conjunto de sintomas na região do estômago que podem ter diversas causas. Algumas pessoas sentem uma sensação de ¨empachamento¨ após se alimentarem, algumas pessoas têm queimação no estômago, náuseas ou eructação. Esses sintomas são muito comuns, são presentes em quase 1/3 da população mundial.
  Os sintomas, por vezes, são muito intensos, causando prejuízo na qualidade de vida dos pacientes que sofrem desta condição. Portanto, é necessário procurar o seu médico gastroenterologista para iniciar a investigação.
  A dispepsia pode ser chamada de FUNCIONAL quando não encontramos uma causa orgânica para os sintomas. Isso acontece em quase 50% dos casos. Para chegar a esta conclusão é necessária uma investigação do quadro, que deve ser individualizada para cada paciente. Ou seja, os exames a serem pedidos vão ser determinados pelo médico de acordo com os sintomas apresentados.
      Alguns alimentos podem favorecer o surgimento desses sintomas, como os alimentos gordurosos, apimentados ou muito condimentados, cítricos, além de bebidas gaseificadas e bebidas alcoólicas. Mas cada indivíduo pode ter algum tipo de intolerância, portanto a orientação dietética também pode mudar de pessoa para pessoa.
    Alguns medicamentos também podem causar esses sintomas, principalmente os Anti-inflamatórios e alguns antibióticos. Nas pessoas que apresentam esses sintomas, a orientação é evitar ao máximo de usar essas medicações.
   Mas a boa notícia é que a dispepsia funcional é uma doença benigna, apesar de ser crônica. Para uma avaliação completa e acompanhamento do caso, é conveniente uma consulta com um gastroenterologista.  

Novo tratamento para dor crônica- estimulação ganglionar

Pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP implementam no Brasil uma técnica pioneira para tratamento de dores crônicas secundárias a lesão nervosa, baseada no implante de eletródios nos gânglios das raízes nervosas. Tal técnica foi lançada na Europa no início do ano, e chega ao Brasil de maneira pioneira, num estudo conduzido na USP.



       Em outubro deste ano, foi testada de maneira prioneira no Brasil, na Faculdade de Medicina da USP, uma nova forma de tratamento da dor crônica, baseada na estimulação ganglionar. O doente beneficiado com a nova terapia era um rapaz de 34 anos com dores lombares há 14 anos após intervenções cirúrgicas na coluna lombar malsucedidas. Trata-se de uma nova técnica cirúrgica que visa a inibição dos disparos elétricos do gânglio da raiz dorsal. Esse gânglio é a primeira estação de processamento dos impulsos dolorosos que atingem o Sistema Nervoso, explica o Prof. Dr. Guilherme Lepski. Estudos experimentais preliminares (Koopmeiners 2011) demonstraram que, sob efeito da estimulação direta, as células nervosas presentes nesses gânglios deixam de disparar de forma descontrolada, em salvas, que são característicos em dores crônica, e passam a disparar potenciais de ação únicos, o que levaria à redução da sensação dolorosa. De fato, desde que o sistema foi disponibilizado no início do presente ano, cerca de 130 doentes foram implantados mundialmente (todos na Europa e Austrália; no Brasil e nos Estados Unidos, seu uso ainda é experimental). Segundo essa experiência inicial (Liem et al, 2014), as melhores indicações para essa nova terapia são 1. dor pós-cirurgia da coluna vertebral, também chamada de síndrome pós-laminectomia, 2. síndrome de dor complexa regional, ou distrofia simpático-reflexa, 3. dor de coto de amputação, 4. diversas causalgias e lesões do sistema nervoso periférico, dentre elas lesões traumáticas de nervos, a lesão dos nervos inguinais após reparação de hérnia abdominal, lesão do nervo safeno após cirurgia do joelho, lesão dos nervos torácicos após cirurgia cardíaca, entre outras indicações. Ainda permanece para ser esclarecido o efeito dessa terapia nas neuralgias por herpes zoster, nas dores fantasma e nas dores por isquemia, cardíaca ou de membros inferiores. Esse é o foco do estudo em curso na Universidade de São Paulo, explica o Prof. Lepski. Nos estudos iniciais, os pacientes foram seguidos por até um ano, e a intensidade da dor e diversos critérios de qualidade de vida foram analisados. Notou-se melhora de 70-80% na intensidade da dor nas pernas ou no pé após um ano, e 50% de melhora na intensidade da dor lombar, que geralmente é refratária às medidas cirúrgicas convencionais. Após um ano, 68% dos doentes mantém melhora da dor de pelo menos 80%, ao passo que com a técnica convencional de estimulação da medula espinhal, somente 21% dos doentes mantém esse grau de melhora. Num outro estudo conduzido sob supervisão do Prof Lepski na Universidade de Tübingen, na Alemanha, têm-se observado redução dos potenciais elétricos corticais evocados por dor nos doentes submetidos à estimulação ganglionar (resultados preliminares).  Essas evidências apontam para uma nova esperança no tratamento de dores crônicas em pacientes que se mostraram refratários aos tratamentos convencionais atualmente disponíveis.