Aneurisma: Causas, Sintomas e Tratamentos

Por Antonio Zerati
 Aneurisma é uma dilatação que atinge parte de um vaso, geralmente uma artéria. O aneurisma mais comum é o que acomete a aorta, que é uma artéria que se origina no coração e, a partir daí, desce para o abdome, sendo responsável por levar sangue para todo o organismo. O segmento onde o aneurisma é mais frequente é a aorta abdominal, após a emergência das artérias renais.
Os riscos de complicação de um aneurisma dependem de sua localização e tamanho. As principais complicações são a rotura (que pode levar à hemorragia maciça), a embolização (quando fragmentos de placa e coágulos se desprendem, interrompendo a circulação de um outro vaso) e a compressão de estruturas ou órgãos vizinhos.
Em relação ao aneurisma da aorta, a complicação mais comum é a rotura. Por tratar-se de artéria com alto fluxo sanguíneo, seu rompimento implica sangramento volumoso e alto risco de morte.
Causas
A causa mais frequente de aneurisma arterial é a aterosclerose, resultado do depósito de gordura na parede da artéria. Dessa forma, os principais fatores de risco para a formação de aneurismas são os mesmos da aterosclerose: hipertensão arterial, diabetes, elevação do colesterol e tabagismo, além de antecedentes familiares (parentes próximos com diagnóstico de aneurisma).
Outras causas são arterites (inflamações das artérias), infecções (aneurismas micóticos) e doenças do colágeno.

Sintomas
O aneurisma da aorta geralmente não traz sintomas, sendo descobertos “acidentalmente” através do exame clínico ou de exames de imagem feitos para avaliação de outras doenças.
Alguns pacientes, principalmente aqueles com aneurismas mais calibrosos, podem perceber uma pulsação no abdome, como se tivessem um “coração na barriga”.
Quando o aneurisma da aorta abdominal cresce muito rapidamente ou se rompe, dor abdominal e/ou dor nas costas podem ocorrer. Perda de consciência, queda abrupta da pressão arterial e morte súbita são indicativos de rotura.
O desprendimento de fragmentos de trombos pode causar oclusão de um vaso mais adiante (geralmente das pernas), levando à isquemia (falta de sangue) aguda no membro. Dilatações muito volumosas são passíveis de compressão das estruturas vizinhas, com sintomatologia variando conforme o órgão afetado. A embolização e a compressão de órgãos vizinhos são pouco comuns no aneurisma de aorta abdominal.
Diagnóstico
O aneurisma de aorta abdominal pode ser descoberto pelo exame clínico, através da palpação do abdome. Exames como a ultrassonografia, tomografia computadorizada e ressonância nuclear magnética também auxiliam no diagnóstico.
Aneurismas da aorta torácica podem ser diagnosticados através de radiografia do tórax, tomografia computadorizada e ressonância nuclear magnética.
Tratamento
O risco de um aneurisma romper é diretamente relacionado ao seu calibre. Quanto maior o diâmetro do aneurisma, maior o risco de rotura. Dessa forma, pequenas dilatações são tratadas conservadoramente, devendo o paciente ser seguido com exames de imagem semestrais. O tratamento cirúrgico fica indicado para os aneurismas maiores, aneurismas com crescimento acelerado ou que apresentem outras complicações (embolização ou compressão de estruturas vizinhas).
Os aneurismas que acometem somente um lado da artéria (conhecidos como saculares) têm indicação de tratamento cirúrgico independentemente do tamanho, salvo exceções.
A rotura do aneurisma de aorta configura risco iminente de morte e deve ser tratado cirurgicamente em regime de emergência.
O tratamento cirúrgico pode ser feito por via aberta ou endovascular. A operação aberta é uma opção consagrada, ainda útil em diversas situações. Através dessa técnica, o fluxo sanguíneo na aorta é temporariamente interrompido e um tubo de material sintético é suturado na artéria, substituindo o segmento dilatado. Para que se tenha acesso à aorta, grandes incisões são necessárias.

Na operação endovascular, uma endoprótese (stent revestido por tecido) é colocada através de uma artéria da perna (geralmente a artéria femoral) e dirigida até o segmento dilatado da aorta, onde esse dispositivo é aberto, impedindo que o fluxo de sangue passe pela porção dilatada. Trata-se de uma técnica menos invasiva, sem a necessidade de abrir o abdome ou o tórax e que, portanto, propicia uma recuperação mais rápida e menos riscos imediatos. No entanto, essa técnica não é factível em todos os casos, dependendo da localização e das características anatômicas do aneurisma.