Por Liliane Carrilo

Para viver em sociedade é necessário
não ser individualista, egoísta e egocentrista. É necessário
pensar e agir considerando menos o “eu” e mais o “nós”.
Na relação com o outro construímos
o Saber, trocamos informações e experiências, interagimos,
sofremos juntos, buscamos soluções baseando-nos nas experiências
alheias. Há no ser humano uma curiosidade natural em conhecer e
saber sobre Outro, afinal, é com ele que evoluímos. O Outro é para
nós referencia do que fazer e do que não fazer.
Antes da Era Digital, as relações
pessoais se davam no Encontro. Muito mais do que ouvir o que a pessoa
falava era possível compreender os sentimentos, através da
entonação de sua voz, de sua respiração, sua postura, sua
aparência, etc.
Com as Redes Sociais, vivemos hoje um
distanciamento físico e emocional, onde um apanhado de palavras nos
dá abertura para interpretar, como quisermos, os sentimentos de quem
escreveu. Quem nunca leu um livro e imaginou os personagens: como
eram, onde estavam, entonação das vozes? Nosso cérebro é capaz de
montar toda uma cena baseando em apenas um detalhe inspirador.
As Redes Sociais nos permite ser
seletivos, mostrar apenas o que queremos e ser quem escolhemos ser.
Cria-se um novo alguém, que pode reescrever sua história e editá-la
a qualquer momento. Por isso, as redes sociais tem sido fonte
inesgotável de autorrealizações. Nela podemos manifestar nossa
opinião sobre tudo, mas é necessário fazer uso da educação,
gentileza e diplomacia.
Temos visto, desde o surgimento das
Redes Sociais, um movimento de intolerância (intensificado nessas
últimas semanas). Redes Sociais sendo utilizadas para criticar e
ofender pessoas que tem opinião diferente daquelas publicadas. Uma
guerra declarada... E para ganhá-la é necessário não só que o
outro aceite a opinião colocada na Rede, mas concorde com essa
opinião e faça e/ou pense aquilo que está sendo afirmado. Qualquer
coisa diferente disso, não será aceita, nem respeitada. O ser
humano prefere informações que confirmem suas crenças e idéias,
independentes de serem verdadeiras ou falsas. E interpretamos todas
as informações que recebemos de acordo com nossas vivências
subjetivas, permeadas do que estamos sentindo “aqui e agora”.
O fato é: todo comportamento (seja
qual for) que foi mostrado ou algo que foi dito no mundo virtual já
existia antes, na realidade... apenas tornou-se “permitido” ser
mostrado.
Talvez toda essa intolerância seja
devido ao fato de estarmos construindo mais grupos do que vínculos.
Talvez a falta de amabilidade e
compreensão nas Redes Sociais seja apenas reflexo das relações
familiares, que estão tão distantes.
Talvez a solidão tenha afetado tanto
o ser humano, que sua busca por reconhecimento, por curtidas e
compartilhamentos seja resultado de uma cultura individualista, onde
Ter é maior que o Ser.
Talvez a não aceitação de opiniões
contrárias seja reflexo da falta de diálogo nas famílias: entre o
casal, pais e filhos e entre irmãos.
É muito fácil e cômodo acreditar
que o mal do mundo é a Rede Social. Mas nós quem tecemos a Rede
Social e construímos relações no mundo virtual.
A evolução da sociedade se dá no
Encontro Social, na troca de aprendizagens e informações, quando
consideramos menos o “eu” e mais o “nós”, quando no Encontro
há respeito.