Por Antonio Zerati
O diabetes mellitus (DM) tem como consequência lesões na microcirculação, conhecidas como microangiopatia, e nas artérias de maior calibre, a macroangiopatia.
A macroangiopatia é caracterizada por lesões secundárias à aterosclerose, que pode acometer as artérias em qualquer localização, como o coração e os membros inferiores. O DM é um fator de risco para o desenvolvimento da aterosclerose, que se manifesta até 10 vezes mais em indivíduos diabéticos que nos não diabéticos. Outros fatores de risco para aterosclerose são a pressão alta (hipertensão arterial), o hábito de fumar e alterações do colesterol e triglicérides.
A obstrução das artérias que conduzem sangue às pernas causada pela aterosclerose tem como consequência a redução no aporte de oxigênio aos tecidos, causando danos de gravidade variável. Quando o indivíduo realiza alguma atividade física, o trabalho realizado exige um aumento no aporte de sangue para os músculos, o que não ocorre quando as artérias da perna estão obstruídas. Como em repouso a oxigenação é suficiente para manter as atividades teciduais, o paciente só vai ter sintomas, como a dor na perna, quando caminha. Ao interromper a caminhada, a dor desaparece. É a chamada Claudicação Intermitente. Por outro lado, se a doença vascular é mais grave, a oxigenação não é suficiente para manter as atividades celulares basais, fazendo com que o indivíduo tenha dor mesmo em repouso e, eventualmente, apresente lesões nas extremidades e necrose tecidual. Essa situação representa isquemia (falta de oxigenação) crítica e, ao contrário da claudicação intermitente, representa alto risco de amputação, motivo pelo qual o paciente deve procurar atendimento especializado com urgência para revascularização do membro. Na claudicação intermitente, via de regra, o tratamento é clínico, com treinamento físico e medicamentoso (antiagregantes plaquetários e estatinas).
Se a manifestação da aterosclerose em vasos de maior calibre em diabéticos é semelhante à de pessoas não diabéticas, a doença microvascular, por sua vez, é única do diabetes. A lesão de vasos de pequeno calibre (capilares e arteríolas) pode afetar principalmente a retina, os rins e os nervos periféricos. Por esse motivo, ao longo de anos, o diabético pode ter afetada a visão e a função renal, muitas vezes levando á necessidade da realização de hemodiálise. Já a lesão neurológica traz alterações de sensibilidade, como formigamentos, sensação de frio, queimação e amortecimento dos pés. Além disso, há prejuízo também relacionado à parte estrutural do pé, com consequentes deformidades anatômicas. Essas deformidades mudam a dinâmica da caminhada do indivíduo, aumentando a pressão em alguns pontos do pé e predispondo ao surgimento de úlceras. Como a sensibilidade do pé é diminuída ou ausente, muitas vezes o diabético não percebe a presença dessas feridas, o que o impede de tratá-las adequadamente. Além disso, as defesas do paciente com diabetes são diminuídas e, dessa forma, essas úlceras muitas vezes infectam, podendo haver necessidade de amputações de parte do pé ou mesmo da perna. No caso de haver doença de artérias tronculares (macroangiopatia) associada, a limpeza cirúrgica das lesões infectadas deve ser precedida de revascularização da perna.
Com o intuito de reduzir as complicações nos pés dos pacientes portadores de diabetes mellitus, ficam algumas orientações:
1. Inspeção diária dos pés e entre os dedos.
2. Lavar os pés diariamente, secar cuidadosamente entre os dedos.
3. Evitar temperaturas extremas. Sentindo os pés frios à noite, use meias. Não aplique bolsa de água quente ou cobertor elétrico.
4. Não utilize agentes químicos para remover calosidades. Não corte seus calos: siga as instruções de seu médico.
5. Inspecione dentro dos sapatos diariamente à procura de objetos estranhos: pedras, pregos etc.
6. Use meias apropriadas, troque-as diariamente.
7. Use sapatos apropriados. Evite sapatos pontiagudos.
8. Nunca ande descalço.
9. Corte as unhas não muito rentes.
10. Veja seu médico regularmente. Certifique-se que seus pés sejam examinados em cada visita.
