Chocolate: mocinho ou vilão?

Por Luiza Gouveia




Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) chocolate é o produto preparado com cacau e açúcar, podendo conter outras substâncias alimentícias aprovadas, com tanto que apresente no mínimo 32% de cacau em sua composição.
O grande problema é a falta de fiscalização sobre isso. O Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) avaliou diversos rótulos de chocolate ao leite e chocolates amargos e concluiu que a grande maioria não declara no rótulo o percentual de cacau dos produtos, uma vez que essa declaração não é obrigatória.
Atualmente está tramitando no congresso um Projeto que Lei que visa a obrigatoriedade dos fabricantes declararem em seus rótulos a quantidade de cacau, já aprovado em sua primeira votação.
A declaração dessa informação traria a possibilidade de escolha dos consumidores considerando o valor de cacau do produto, sem deixar de lado a necessidade de fiscalização, pois os órgãos de defesa do consumidor devem constantemente, realizar análises para verificar se os produtos alimentícios contêm realmente os ingredientes declarados.
Alguns estudos científicos já mostraram benefícios cardiovasculares com ingestão de cacau ou chocolates com alta concentração de cacau, porém, em sua maioria foram estudos de curta duração, o que não permite conclusões quanto a esse benefício considerando o consumo por longos períodos.
O efeito do chocolate da prevenção do risco cardiovascular parece ser devido aos polifenóis do cacau, substâncias que inibem ou amenizam a oxidação, a inflamação e a agregação de placas nos vasos que poderiam causar problemas cardiovasculares.
O que não se pode esquecer é que os chocolates disponíveis para consumo contêm também quantidades variáveis de açúcar e de gorduras, que contribuem para elevação do valor de calorias do produto e consequentemente pode impactar na manutenção do peso das pessoas que o consomem.
Além disso, muitas vezes a qualidade da gordura utilizada é ruim. A gordura de palma que é muito utilizada nas preparações de chocolates, contém gordura saturada, e muitas vezes a partir da utilização de gorduras hidrogenadas há formação de gordura trans nesses produtos. Esses dois tipos de gorduras aumentam o risco de elevação dos níveis de colesterol e consequentemente de eventos cardiovasculares.
Sempre temos que lembrar que um alimento sozinho não faz milagre! E que o real benefício vem de dietas equilibradas em todos seus nutrientes, fornecidos pelos mais variados alimentos ingeridos em quantidades específicas.