Cirurgia para enxaqueca

Por Dr. Guilherme Lepski
      A enxaqueca é uma das formas de dor de cabeça crônica (cefaléia crônica) mais frequente na população adulta. As dores são frequentemente precedidas por alterações visuais e mal-estar, seguindo-se um ataque de dor muitas vezes pulsátil, na maioria das vezes de um lado da cabeça, podendo se alternar de um lado para outro num próximo ataque. Ademais, os pacientes referem enjôos, vômitos, aversão ao barulho e à luz. 
      Muitas vezes, os pacientes são acometidos por vários dias de dor, que recorrem a períodos regulares (por exemplo associados à menstruação nas mulheres em idade fértil). Tal doença é causa frequente de falta ao trabalho. Não raras vezes, pode se apresentar na sua forma malignizada, com dores todos os dias, o que pode ser favorecido por estresse, sono irregular ou alimentação deficitária. Existem diversas medicações de eficácia comprovada para o tratamento da enxaqueca, tanto de suas crises quanto de seus ataques. De fato, o tratamento clínico medicamentoso é o tratamento padrão para essa condição. Não obstante, muitos pacientes apresentam alto grau de sofrimento com crises frequentes à despeito de tratamento adequado, ou apresentam efeitos colaterais deletérios sob medicação. Até bem pouco tempo, não se dispunha de uma alternativa terapêutica para esses doentes. 
     Recentemente, alguns estudos demonstraram eficácia da terapia de estimulação nervosa para esses casos. Esses estudos ainda são baseados em séries de casos, mas a experiência internacional tem avançado consideravelmente a favor desse procedimento. Trata-se do implante de dois pequenos eletrodos por meio de uma agulha, num procedimento minimamente invasivo sob sedação ou uma curta anestesia geral. Os eletrodos são posicionados sob a pele, próximos aos nervos occipitais. A estimulação elétrica contínua dos nervos occipitais é capaz de inibir reflexamente o desencadeamento das crises de enxaqueca. 
     Tal terapia ainda não está padronizada no Brasil, mas está disponível em alguns casos especiais. Uma maior mobilização das associações de pacientes e familiares, bem como um maior empenho dos representantes médicos junto às agências governamentais e seguradoras pode contribuir para a disponibilização desta e outras formas de tratamento para os pacientes que delas possam se beneficiar.